quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O valor de uma ruga.



Milton compôs:
"Foi nos bailes da vida ou num bar em troca de pão, que muita gente boa pôs o pé na profissão. De tocar um instrumento e de cantar, não importando se quem pagou quis ouvir, foi assim: cantar era buscar o caminho que vai dar no sol. Tenho comigo as lembranças do que eu era. Para cantar nada era longe, tudo tão bom. Pé a estrada de terra na boléia de um caminhão, era assim: com a roupa encharcada e a alma repleta de chão. Todo artista tem de ir aonde o povo está. Se foi assim, assim será. Cantando me desfaço e não me canso de viver, nem de cantar."

Há dias tenho pensado, em plena sintonia com a natureza (contente por isso), nos variados significados que a elasticidade da pele pode criar. Las odiadas rugas se originam da contração muscular repetida ao longo dos anos. Essas passam a aparecer na fase adulta pelo corpo humano. Aos 25, 40 ou 50: não somos nós quem podemos decidir. Cabe só à genética, à intensidade de atividades que o vivente tem/teve (e os problemas - como doenças, ou soluções que isso acarreta) e um pouco de sorte... A busca pela jovialidade, nos dias atuais, tem as dissipado. Cirurgias de lá, cremes de cá; ciência e estética juntas na busca pelo propósito de eliminá-las.
Porém, minimizando as rugas, há perda da nossa identidade. Hipocrisia conquistando seu espaço. Mulheres de 50 competindo com as de 20: nos campos amoroso, estudantil e de trabalho.
Rugas significam vida árdua (de trabalho, na pele cor-de-cuia da mendiga da rua ao lado; de leveza, na pele branca da dondoca empresária que te despreza), experiência. Rugas "pés-de-galinha" deixam subentendido que os olhos daquela senhora presenciaram inúmeras cenas; que as mãos marcadas do senhor que toma cerveja no bar sofreram abusos no trabalho: ergueram muitos tijolos para pagar sua bebida.
Femininas ou masculinas: essas marcas corporais fazem parte da nossa história; não devem ser dissipadas ou escondidas com maquiagens. São, ao contrário do que a mídia nos repassa, motivo de orgulho.

Alguns cidadãos com idadade superior a 50 anos provavelmente nunca serão considerados mártires - por não terem pregado revoluções, mas sua experiência e a vivência que isso acarreta são notáveis. Não os ignorem, vos peço.

Pendo para o lado geriátrico, não minto, mas sou crente em uma sociedade baseada no respeito pelos idosos e aposentados. Afinal de contas, a nossa hora chegará... em breve.

E à quem está pensando em encarar uma jornada de cirurgias pelo corpo e rosto, a fim de parecer mais jovem, que pense na possibilidade de enviar esse dinheirão todo que os médicos e clínicas pedem por seus serviços - sem necessidade, para algum asilo. Certamente o aproveitamente do uso financeiro será maior: com a alimentação das senhoras e senhores que precisam e sua estadia final em Gaia.

Admirem olheiras: deixam subentedido trabalho, cansaço. Estudantes que passaram a noite em cima de livros preparando-se para uma prova querem reconhecimento; trabalhadores de três turnos seguidos, com 30 min. para janta e almoço, também.
Esses seres são os dignos de nossa admiração e respeito.

No mais, estimo que esse texto balance vossas estruturas.

Passem bem,
Clarice S.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Tell all the people that you see... Set them free!

Criatividade zero hoje. Mas apesar dos incômodos do último mês do ano me sinto feliz por ter descoberto uma nova cultura (Hippie). Na verdade ela existe há praticamente cinco décadas e possuiu milhares de adeptos em seu auge; meu interesse aumentou nesse final de ano e resolvi comentar.
Sabe-se lá porque, talvez já esteja de saco cheio dessa merda chamada Raça Humana.
Antes de 'enxer de lixo' meus semelhantes somente desejo que explodam junto com os fogos de artifício de ano novo. Agora penso que o mundo acabar em 2012 e recomeçar não é uma má ideia.
Oh céus. Bom final de ano, criaturas. Incluam em seus planos para 2010 independência. Que assim seja!

Samantha.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

"Reciprocidade ou morte!"



Saudações.

Hoje vos trago um texto digno de nossa leitura; de um grande teólogo, filósofo, escritor e defensor da prática de sustentabilidade. Leonardo Boff desistiu da carreira eclesiática há alguns anos e passou a dedicar-se a atividades realmente importantes, relacionadas ao meio-ambiente que não conservamos. É sobre isso que o texto abaixo aborda. O cara é tão bom, que prefere andar de ônibus a avião em suas longas viagens pelo Brasil afora; por tratar-se de um transporte coletivo, em que menor quantidade de CO2 é liberada à atmosfera.


"Desde que os seres humanos decidiram viver juntos, estabeleceram um contrato social não escrito pelo qual formularam normas, proibições e propósitos comuns que permitissem uma convivência minimamente pacífica.
Depois surgiram os pensadores que lhe deram um estatuto formal como Locke, Kant e Rousseau. Todos esses contratos históricos têm um defeito: supõem indivíduos nus e acósmicos, sem qualquer ligação com a natureza e a Terra. Os contratos sociais ignoram e silenciam totalmente o contrato natural. Mais ainda, a partir dos pais fundadores da modernidade, Descartes e Bancon, implantou-se a ilusão de que o ser humano está acima e fora da natureza com o propósito de domínio e posse da Terra. Este projeto continua a se realizar mediante a guerra de conquista seguida pela apropriação de todos os recursos e serviços naturais. Atrás sempre fica um rastro de devastação da natureza e de desumanização brutal. Antes se fazia guerra e apropriação de regiões ou povos. Hoje conquistaram-se todos os espaços e se conduz uma guerra total e sem tréguas contra a Terra, seus bens e serviços, explorando-os até a sua exaustão. Ela não tem mais descanso, refúgio ou espaço de recuo.
A agressão é global e a reação da Terra-Gaia [teoria de James Lovelock]está sendo também global. A resposta é o complexo de crises, reunidas no devastador aquecimento global. É a vingança de Gaia.
Não temos outra saída senão reintroduzir consciente e rapidamente o que havíamos deixado para trás: o contrato natural articulado com o contrato social. Trata-se de superar nosso arrogante antropocentrismo e colocar todas as coisas em seu lugar e nós junto delas como parte de um todo.
Que é contrato natural? É o reconhecimento do ser humano de que ele está inserido na natureza, de quem tudo recebe, que deve comportar-se como filho e filha da Mãe Terra, restituindo-lhe cuidado e proteção para que ela continue a fazer o que desde sempre faz: dar-nos vida e os meios da vida. O contrato natural, como todos os contratos, supõe a reciprocidade. A natureza nos dá tudo o que precisamos e nós, em contrapartida, a respeitamos e reconhecemos seu direito de existir e lhe preservamos a integridade e a vitalidade.
Ao contrato exclusivamente social, devemos agregar agora o contrato natural de reciprocidade e simbiose. Renunciamos a dominar e a possuir e nos irmanamos com todas as coisas. Não as usamos simplismente, mas ao usá-las quando precisamos, as contemplamos, admiramos sua beleza e organicidade e cuidamos delas. A natureza é o nosso hospedeiro generoso e nós seus hospedes agradecidos. Ao inés de uma trégua nesta guerra sem fim, estabelecemos uma paz perene com a natureza e a Terra.
A crise econômica de 1929 sequer punha em questão a natureza e a Terra. O pressuposto ilysório de que elas estão sempre aí, disponíveis e com recursos infinitos. Hoje a situação mudou. Já não podemos dar por descontada a terra com seus bens e serviços. Estes mostraram-se finitos e a capacidade de sua reposição já foi ultrapassada em 40%.
Quando esse fator é trazido ao debate na busca de soluções para a crise atual? Somos dominados por economistas, em sua grande maioria verdadeiros idiotas especializados - Fachidioten - que não veem senão números, mercados e moedas esquecendo que comem, bebem respiram e pisam em solos contaminados. Quer dizer, que só podem fazer o que fazem porque estão assentados na natureza que lhes possibilita fazer tudo o que fazem, especialmente, dar razões ao egoísmo e às barbaridades que a atual economia faz, prejudicando milhões de pessoas e que vai minando a base que a sustenta.
Ou restabelecemos a reciprocidade entre natureza e ser humano e rearticulamos o contrato social com o natural ou então aceitamos o rosico de sermos expulsos e eliminados por Gaia. Confio no aprendizado a partir do sofrimento e do uso do pouco bom senso que ainda nos resta."
Publicado em 14/12/09 no jornal "Diário do Iguaçu".


Depois dessa brilhante síntese de idéias (sou relutante quanto à nova regra de acentuação), nada mais tenho a dizer.

Passem bem.

Ass,
Clarice S.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Qual é o nosso limite?
Segundo alguns psicólogos e psiquiatras, vivemos sobre uma linha tênue e oscilamos entre os dois lados - "loucura e sanidade". Sem um, o outro não aguenta por muito tempo. Eu mesma sou exemplo, pois já tive uma experiência como essa. Remédios aqui e ali e tudo voltou ao normal. Mas me pergunto... Será que essas oscilações ainda existem? Será que a mente, a sanidade, a loucura, e os "LIMITES" ainda existem?
Em certos momentos penso que não, mas revejo...
"Tudo é impossível até que alguém vá lá e prove o contrário".

- Essa baboseira toda: sobre os degraus que a raça humana consegue descer a cada dia.

Samantha

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009




"O modernismo em Portugal (e seu mais importante representante, Fernando Pessoa)surgiu em meio à grande instabilidade política da recém-instaurada República, declarada em 1910, com o assassinato do rei Carlos de Bragança. A situação portuguesa se agradou ainda mais com a Primeira Guerra Mundial, a qual trouxe a ameaça de o país perder suas colônicas ultramarinas, cobiçadas pelas grandes potências. Por conta disso, um forte sentimento nacionalista se desenvolveu no país. É nessa época que se desenvolveu Fernando Pessoa.
O Modernismo surgiu como resposta à transição que se começou a operar desde o início da Revolução Industrial. Os novos conhecimentos técnicos e científicos mudaram diametralmente a visão de mundo estabelecida no Ocidente desde a Grécia clássica. À medida que os conceitos teológicos, políticos e sociais eram debatidos, uma nova maneira de entender o homem e o universo tomava o lugar das antigas concepções. As novas tecnologias também forneciam outras perspectivas para entender a realidade de outra maneira. Correntes de pensamento - notadamente a teoria psicanalítica de Sigmundo Freud (1855-1936) e o niilismo de Friendich Nietzsche (1844-1900) - também ajudaram a desbancar o antigo e a clamar pelo moderno.
(...)
Álvaro de Campos [heterônimo de Fernando Pessoa] experimenta a civilização e admira sua energia e a força, registrando em seus poemas a ânsia de viver de forma integral e a complexidade de todas as sensações.
Entre os heterônimos, Campos foi o único a manifestar fases diferentes ao longo de sua obra. Ele tem três fases distintas. A primeira é marcada pelo decadentismo, um movimento literário que se desenvolveu no final do século XIX, em oposição ao Realismo; e que busca explorar a dimensão misteriosa da existência (...) Ele adere ao Futurismo. Finalmente, depois de uma série de desilusões existenciais, o heterônimo assume uma veia intimista. Esse período é chamado de Fase Abúlica. Espelha a desilusão com o mundo em que vive. A produção desse período é imbuída de tristeza e cansaço.
(...)
Fernando Pessoa diz sobre si mesmo ser um "invertido frustrado". Confessa sentir como uma mulher e pensar como um homem. Mais ainda, refere-se a "um corpo de mulher que foi meu outrora e cujo cio sobrevive!". Apesar dos indícios sobre seus homossexualismo, Pessoa teve uma namorada, Ophélia Queiroz, com quem se relacionou por duas vezes: em 1920 e, depois, entre 1929 e 1931. O namoro, porém, não foi em frente. Pessoa desmanchou o compromisso por conta de um desentendimento com Álvaro de Campos. Sua criação temia que o romance desviasse Pessoa da poesia. Ele abandona, assim, essa rara possibilidade de contato com o outro".


Caros leitores, interessou-me bastante esse último parágrafo (os anteriores foram a título de conhecimento). O grán Pessoa seguia os ideais aristotélicos de prática, certamente. Percebe-se que os artistas, em geral, costumam se isolar do mundo para produzir: produzir escritos (de livros a peças teatrais), obras de arte, projetos, composições, enfim. Esse isolamento é necessário. Reproduzir o mundo também. Porém, geralmente isso é feito decorrente das vivências que tal artista teve. Vivenciá-las durante a produção diminui a qualidade dessa; pois inclui, algumas vezes, noites boêmias, alimentação não-saudável e hábitos que, de alguma forma, atrapalham o meio em que o cidadão está inscrito.
Depois de concluída a obra, ouve-se um "Graças". O problema do isolamento, é a reintegração com a sociedade. Simpatizar novamente nosso círculo social não é tarefa fácil. Além disso, se corre o risco do rompimento da compatibilidade. A sensação que se tem, é a de que você evoluiu e outrem ficou no comodismo, na inércia. Logo, terás que ir em busca de novos companheiros de jornada.

Caso estejam vivenciando o momento descrito, bona fortuna. Aliás, à vocês e à mim.

Ass,
Clarice S.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

"Tá cada vez mais down o high society".



John deve estar se remexendo no túmulo agora. Notem sua feição de decepção; era o objetivo.

Sentimento de revolta ronda no interior daquela que vos escreve. Percebi nesse final de semana, da forma mais piegas, o efeito do consumismo nos seres-humanos. Fui à um evento estudantil, onde esperava que os membros lá presentes possuísem uma determinada postura, devido aos vários títulos de excelência que a instituição possui. Enganei-me, again.
A falta de personalidade, causada pelos exagerados mimos dos pais e esse constante incentivo ao consumismo, formou "garotos" inúteis e "garotas" fúteis. Sí, meus caros.
No evento que participei, que marca o fim do ensino médio, as belas mujeres chamaram mais atenção que as inteligentes. Apesar de somente pessoas do sexo feminino terem recebido prêmios como "melhor aluna do ano", "aluna que alcançou mais pontuação em vestibulares" e essas cositas. Não vi tais brilhantes e dedicadas alunas ganharem uma cantada de um cara. Só vi as de estilo modelo serem indagadas. That´s OK.

A capital do nosso estado foi invadida pelo comércio. Nas ruas, a poluição visual (ocasionada pelo comércio) roubou o belo papel do mar. Árvores? Decorativas. Grama sintética, mini coqueiros, bromélias e cobiçados prédios à beira mar. Que sentido damos a be-le-za? A artificial, pelo visto. As características naturais, tanto da vegetação praiana, como da barriga não-tanquinho de uma mulher de meia-idade; foram substituídas por uma programada: grama sintética, lipoaspiração na abdômen dessa mesma mulher (que quis competir com suas amiguitas, para depois, competir com a beleza de sua filha de 30 anos).
Descobri o mal que atinge a sociedade. O esquema é o seguinte, meus caros: a mídia elabora um padrão ideal de sociedade -> por meio de propagandas (seja na TV, seja nos jornais) influencia a população a adotar esse mesmo padrão -> o comércio é beneficiado, já que a pequena parcela da sociedade que pode pagar pelos serviços os adquire. O restante, nesse caso, é pressionado a se adequar a esse padrão para ter a chance de ingressar em determinado trabalho, ter atenção do guapo hombre que está no balcão do bar, enfim; ingressar em determinada sociedade.
Como denomino esse esquema...?

"Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro", já dizia Machado de Assis no conto "O espelho".
Há longa data, perseguir a perfeição do "eu exterior", é característica marcante de uma sociedade totalmente seletiva. No entanto, não éramos coagidos tão fortemente por essa fixação como nos dias de hoje. Ter boa aparência - rosto bonito, dentes perfeitos, cabelos arrumados, roupas da moda - garante potencialmente o sucesso, ou quem sabe a obtenção de uma vaga numa empresa, por exemplo. Todavia, esse "diferencial" não denota a qualificação profissional deste possível candidato.
Ainda não inventaram fórmula capaz de maquiar o interior humano - esforço insano de muitos - em contrapartida percebe-se com propriedade que muita gente tem forma, mas não tem conteúdo.

Sí, futilidade. Mal da sociedade atual: será uma busca obsessiva, a luta do ser entre ser essência e ser aparência?

Ter ou não um ipoid, não nos torna menos competentes, menos inteligentes e/ou interessantes. A roupa, acessório importante especialmente para as mulheres, é consequência de nossa personalidade. A produção do mesmo vestido que custa R$: 500 ou R$: 70, gera quase a mesma quantidade de empregos, beneficia as mesmas X famílias. Não entendo o porquê dessa diferença de preço colossal. E sou da seguinte opinião: se existe tal loja, que lucra em 300% com o mesmo produto de lojão barato, é porque alguém adquire tal produto. Nada existe para o acaso. Há compradores. Há madames que gastam o dinheiro de seus maridos. Há maridos que gastam o dinheiro de suas mulheres trabalhadoras. Sociedade ao avesso.

Gostaria, sinceramente, que esses jovens atingidos pela onda do consumismo entendendessem que ser mais ou menos popular em um cursinho pré-vestibular, não vai garantir sua vaga em uma faculdade conceituada. A maior preocupação de tais alunos, deveria ser a de alcançar certo nível de intelecto, de inteligência... Perdem cerca de 20% do seu tempo de estudo pensando em que roupa vestirão, provando mil trajes antes de ir ao colégio, maquiando-se para estudar. Perdem seu precioso tempo de burilar suas mentes...

Essa é uma crítica apelativa, meus caros. Porém, o outro lado da moeda é visível. Ninguém é totalmente anti-consumista; se assim fosse, seria contra sua própria existência. A humanidade precisa comprar alimentos no supermercado, remédios na farmácia, roupas para vestir, enfim. O problema está no consumir esses produtos ou serviços sem consciência; o que acontece muitas vezes por influência da mídia (propagandas em si). Nem um casal de hippies vivendo em uma granja e plantando somente para sua sobrevivência é anti-consumista.

Fácil calar-se diante dessa situação.
O estado humano mais deprimente é esse; desinteresse pela cultura admirável não-admirada por outrem. Em termos sociais, a fome. Nos morais, a falta de conciência.

Reclamamos muito. Mas o que fazes tu, mero grão areia do Universo, para mudar essa realidade?

Adie sua contribuição, a mudança da sociedade também será adiada.


É isso por hoje...
Diria um texto de desabafo. Não queria que fosse muito bem ou muito mal escrito; apenas com sentido bem defendido.

Ass,
Clarice S.

Ao som de Nirvana (old times), bufando.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009



Andava pela cidade vizinha há alguns dias. Descobri esse livro, que contém algumas boas produções regionais. Dentre elas, destaquei esse curto texto; se assim posso chamá-lo.

"O problema das cidades pequenas não é porque são cidades pequenas, mas sim porque são cidades. O problema das pessoas de cidade pequena, não é porque são pessoas de cidade pequena, mas sim porque são pessoas. Há um constante estado de vigília, sempre alguém vigiando por alguma cortina entreaberta. Há também algumas obrigatoriedades: acenar, abaixar a cabeça em sinal de cumprimento, um "opa" em sinal de cordialidade. Parece não existir segredos nem barreiras, não há espaço para privacidade. Uma ida a mercearia para comprar alguns secos & molhados, acarreta, vez ou outra na saída da loja, um sorriso incriminador de alguma velha beata que enxerga por dentro do pacote e dá em esmola com seus olhos, o seu perdão a mim e a minhas garrafinhas; seu pensamento quase transpassa o setuagenário de seus cabelos brancos: por que ele nunca vai à missa?".
Antonio Marcos Moreira Pinto

E confesso que senti uma catarse forte ao lê-lo, especialmente tratando-se das primeiras frases.
Cada vez mais remeto o comportamento de outrem à sua base educacional. Não, caros leitores, não trato da (às vezes fraca) educação que repassam os colégios e instiuições de terceiro grau; mas sim do eterno aprendizado humano. Burilando nossa mente, chegamos ao mais alto patamar: ao do "super-homem". Fazendo uma alusão à “Morte de Deus”, remetendo esta morte a uma vitória humana, surge a nova era, chamada de “nova aurora”; segundo Nietzsche. Esse afirma que a partir da morte de Deus, do sumiço da religião, tudo será reavaliado e entendido. O teocentrismo, deixa de existir (aliás nunca existiu, convencionou-se a existir, para se aceitar a fidelidade na terra). A liberdade é dada novamente ao homem... Em correção à esse erro, nega-se a Deus (leva-se em conta os princípios arcaicos, doutrinas religiosas inquestionáveis que retardaram a evolução humana em campos científicos, sociais e morais; não literalmente a figura de um ser divino), e assim torna-se superior, neste caso, o super-homem. Metaforicamente, “o homem novo”, diz Zaratustra.
E os homens devem dizer à si: "Quero ser Deus do próprio homem, para não mais errar, mas ser plenamente humano.". Agora, o homem é quem estabelece as metas, os valores, a nova ética; estabelecendo uma nova meta para a humanidade... daqui para o futuro.

Super-homem está no sentido de superação...
A negação de todos os valores impostos tornaria o homem.... Super-homem. Tudo isso poderia acontecer se o homem retorna-se a si mesmo... superando cada vez a si mesmo.


É isso por hoje.
Ver-vos-ei em breve...

Clarice S.

[Produzido ao som de: Morphine - Cure for pain].

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"Ver as coisas de fora do furacão o torna menos destrutivo. Quando se faz parte dele, tudo em volta parece sinônimo de salvação... Ainda bem que existem os erros."

Samantha.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A jovem que achava bonito ser feio


(...) Mas, voltando a falar sobre o tema principal: alguma vez você já se perguntou o porque de certas pessoas serem felizes sendo o que todas as outras abominam? Ou, se você um dia não desejou ser algo que você mesmo abominava?
Certas vezes a inveja também me consumia. Essa foi a razão principal de ser o que sou hoje. A outra razão foi curiosidade.
Se algum dia minha história de vida importar e me perguntarem se eu vivo feliz sendo uma criatura abominável, direi que sim, e não ligo pra o que irão pensar de mim. O olhar invejoso e indignado das “criaturas comuns” me causa um êxtase talvez até maior do que qualquer droga que já provei. “Ah, então você acha bonito ser feio?” Talvez só porque sua lógica diz que “não é feio ser bonito”, eu não acho o contrário, coisa normal a ser feita. Porém, como sou abominável, tenho um álibi.
Sua mente não acompanha o meu raciocínio talvez. Pode ser que eu não me expresso direito porque meus neurônios estão cozidos ou nem mais existem, ou você, não olha com freqüência da sua janela e percebe o que acontece mundo afora. A minha real intenção foi abusar da sinceridade comentando o que já estava entalado há um tempo. É o que muitos pensam, muitos querem falar, mas para poucos isso deixa de ser somente um surto humanitário que lhes tomou a cabeça.
O fato é que talvez você nunca mais vá encontrar alguém como eu, à beira de uma crise de abstinência, que fique sentada no meio-fio de uma rua residencial conversando até o sol nascer. Talvez eu precise de um cigarro.


Samantha.

Ps. In memory off you, it feels so dark inside... Waiting till the morning light. Hurts my soul, it kills my mind, daughter.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Cancele a minha inscrição para a ressureição!


Estamos inseridos em uma sociedade onde agora não é mais "cada um por todos" e quiçá nem mais Deus está conosco. Os antigos valores estão cada dia sendo deixados para trás, substituídos por novidades sempre mais atrativas. Inovações essas que nos trazem tamanho conforto e comodidade, que até nosso pensamento está se tornando "confortado".
Em busca de mais bens pessoais, mais satisfação individual e realizações, nos tornamos a cada minuto que passa um pouco menos livres. Tornamo-nos algemados, presos por nossas próprias criações; deixamos que nossos desejos se sobrepusessem ao que realmente importa em sociedade: nossos semelhantes.
A busca incessante por coisas palpáveis (físicas) nos tornou individualistas. Até mesmo a coletividade só nos beneficia se for algo que pudermos tocar e que nos traga proveito positivo. Nossas bases tem suas raízes em culturas onde o mais importante é a sobrevivência. Bem, isso era o que costumávamos pensar. Um objeto de desejo não é precisamente necessário... A propósito: não era.

-Escrito em um lapso do sono.


Aprendi com inúmeras situações que há quem precise mais da cooperação de quem nos cerca do que da verdade. Embora seja mais fácil mentir e ser aclamado, sempre há alguém que desconfia; e querendo ou não, a mentira, se mal contada, um dia aparece. O mais interessante é que essas pessoas velhacas sempre acham que todos estão acreditando em suas mentiras, por isso permanecem com seu pseudo-ato-de-manipular-criaturas; o que continua nos dando algum assunto manjado para debater aqui no Blog.
Obrigada, velhacos malandros!


Samantha.


"(...) Mas dizei-me, meus irmãos, se à humanidade ainda falta um fito, não será porque também falta, ainda, a própria humanidade? Assim falou Zaratustra".
F. W. Nietzsche, em "Assim falou Zaratustra", pág. 75.

Complementando-o: e o que eu, ser humano e cidadão de Gaia, faço para mudar tal dinâmica social?

Só...
Pensem nisso.

Clarice S.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009




Saudações, caros leitores.

Pensem em liberdade... Sei que virá à cabeça de muitos a imagem de um carro conversível aberto em cima, você o dirigindo com os cabelos ao vento. Que irracional, ser humano. "Liberdade" é o que nós, brasileiros, vivemos hoje (diria comodismo).

A população, de modo geral, gosta de representantes/líderes marcantes. Esses oferecem segurança à população; no sentido de serem firmes em suas decisões (já que a maioria chegou ao poder através de um golpe militar) e possuem um forte exército à sua disposição. Hitler chegou à administração alemã basicamente na 2ª Guerra Mundial. O que a Alemanha precisava era de um governante forte, que soubesse dominar o povo e o exército. Bueno. Até aí tudo bem. O seu problema foi se focar no extermínio de "pessoas inocentes"; os judeus (matou 6 milhões deles), a fim de igualitar o mundo em uma mesma raça, a raça ariana (UTOPIA de Hitler). Curiosidade: seu ódio pelos judeus tem motivo (não que seja justificável); vai de durante o início de sua carreira trabalhista até quando tal povo não quis financiar a 2ª Guerra para Adolf.
Nos regimes militares, o povo de um país que vivia em democracia (mesmo que substancial) perde certa extensão de liberdade. Liberdade opinativa (protestos eram feitos, mas havia repressão) e vital. A ditadura é uma espécie de dogma; quase que inquestionável. Portanto, quando a população elege o representante e tem o direito de destituí-lo do poder (conceito estabelecido na Proclamação da República norte-americana), tem também o direito, se não o dever, de lutar em prol dos seus direitos.

“E onde começam os direitos humanos? Em lugares próximos a nossa casa – mas tão próximos e tão pequenos que não são vistos em nenhum mapa mundi. É o mundo do indivíduo; dos vizinhos com os quais convive; da escola ou da universidade onde estuda; da fábrica, do galpão ou do escritório onde trabalha. Estes são os lugares onde todo homem, mulher, velho ou criança, busca igual justiça, iguais oportunidades, igual dignidade, sem discriminação. E, a não ser que estes direitos tenham importância aí, não terão em nenhum outro lugar. Sem ação para defesa dos direitos próximos, buscar-los-emos em vão, em um mundo mais amplo”.
Eleanor Roosevelt.





Questionem, meus caros. Afinal, vocês tem o direito de fazê-lo.
See ya,

Clarice S.

sábado, 17 de outubro de 2009

"Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado...".



Bueno. Em pleno sábado à noite, ao som de Chico, me ponho a escrever. Indescritível é o que sinto agora. A interpretação fria dele em "Construção", transparece sua indignação e sede por mudanças. Interessante. Em 69 ele esteve exilado na Itália, o que reafirma sua visão crítica incrível da sociedade.
Conflitos, conflitos: estes só acontecem pelo mal relacionamento entre seres-humanos. Somos em geral, complicados. As profissões que analisam o comportamento humano existem há tempos. O próprio Sêneca, lá na Roma antiga, era conselheiro e "psicanalista" do gran César.
Blá, blá.
Vamos admitir uma questão: quando é estabelecida uma relação de amizade, os colaboradores desta querem se sentir bem. Ninguém busca relações extracorpóreas (além dos heterônimos e das conversas internas)para ser infeliz e sofrer. Queremos uma alquimia; troca de interesses e informações, o sentimento é consequência disso. "Ama-se o desejo, não o desejado"; é isso que afirma mí querido Nietzsche.
Com quem, então, "limpar a chaminé" (ou desabafar, o médico Breuer referindo-se a um tratamento que fez com sua paciente Anna O. no livro "Quanto Nietzsche chorou"; pouco ficctício)?. Desabafe consigo mesmo, meu caro. Nossa mente é o maior diário, baú dos segredos, banco que pode existir. Só nós temos acesso à ela.

No mais, estimo que assistam a qualquer vídeo do Chico cantando "Construção", para compreenderem do que eu trato.

Passem bem,

Clarice S.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Eu realmente não sei o que escrever aqui hoje. Era pra ser uma válvula de escape, para contar sobre indignações, aflições, temores, alegrias... Mas vejo que está sendo mais difícil do que pensei que seria. Uma pelo egocentrismo desenfreado, outra pela falta de assunto. Mesmo embora não tenha ido estudar hoje à noite, não consegui ler ou ver nada que me interessasse. Fiz um trabalho sobre um escritor espanhol, Lope Felix de Vega Carpio, mas por ser um autor de épocas do descobrimento não consegui nem se quer lutar um pouco para entender suas poesias em espanhol, pois não as encontrei.
Sobre poesias... Eu pensei que "As Flores do Mal" de Charles Baudelaire, seria mais interessante. Por ser um autor com características simbolistas, e eu não ter tomado conhecimento disso antes, li quase na íntegra sua obra e não me agradou. Não comentarei sobre o livro, porque não sou uma crítica literária e creio que não tenha argumentos suficientes para tal. Ao menos serviu como experiência e como dica aos possíveis leitores.

Agora que se dane a literatura. Algumas músicas do Within Temptation são muito boas. Fazem lembrar de noites solitárias à luz da lua, de campos e florestas pouco densas. Até uma fogueira está incluída. Típico do Gothic Metal? Sabe-se lá. Apesar do estilo em questão, em letras, fugir um pouco à realidade, sua melodia é boa pro lado dramático/triste da alma. Outra dica.

Clavicula Nox - Therion

Não gostou? Opine. Os comentários podem ser anônimos, e qualquer crítica construtiva será bem-vinda.

Samantha.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

“Acho que devemos fazer coisa proibida – senão sufocamos. Mas sem sentimento de culpa e sim como aviso de que somos livres.” - Clarice Lispector