
Andava pela cidade vizinha há alguns dias. Descobri esse livro, que contém algumas boas produções regionais. Dentre elas, destaquei esse curto texto; se assim posso chamá-lo.
"O problema das cidades pequenas não é porque são cidades pequenas, mas sim porque são cidades. O problema das pessoas de cidade pequena, não é porque são pessoas de cidade pequena, mas sim porque são pessoas. Há um constante estado de vigília, sempre alguém vigiando por alguma cortina entreaberta. Há também algumas obrigatoriedades: acenar, abaixar a cabeça em sinal de cumprimento, um "opa" em sinal de cordialidade. Parece não existir segredos nem barreiras, não há espaço para privacidade. Uma ida a mercearia para comprar alguns secos & molhados, acarreta, vez ou outra na saída da loja, um sorriso incriminador de alguma velha beata que enxerga por dentro do pacote e dá em esmola com seus olhos, o seu perdão a mim e a minhas garrafinhas; seu pensamento quase transpassa o setuagenário de seus cabelos brancos: por que ele nunca vai à missa?".
Antonio Marcos Moreira Pinto
E confesso que senti uma catarse forte ao lê-lo, especialmente tratando-se das primeiras frases.
Cada vez mais remeto o comportamento de outrem à sua base educacional. Não, caros leitores, não trato da (às vezes fraca) educação que repassam os colégios e instiuições de terceiro grau; mas sim do eterno aprendizado humano. Burilando nossa mente, chegamos ao mais alto patamar: ao do "super-homem". Fazendo uma alusão à “Morte de Deus”, remetendo esta morte a uma vitória humana, surge a nova era, chamada de “nova aurora”; segundo Nietzsche. Esse afirma que a partir da morte de Deus, do sumiço da religião, tudo será reavaliado e entendido. O teocentrismo, deixa de existir (aliás nunca existiu, convencionou-se a existir, para se aceitar a fidelidade na terra). A liberdade é dada novamente ao homem... Em correção à esse erro, nega-se a Deus (leva-se em conta os princípios arcaicos, doutrinas religiosas inquestionáveis que retardaram a evolução humana em campos científicos, sociais e morais; não literalmente a figura de um ser divino), e assim torna-se superior, neste caso, o super-homem. Metaforicamente, “o homem novo”, diz Zaratustra.
E os homens devem dizer à si: "Quero ser Deus do próprio homem, para não mais errar, mas ser plenamente humano.". Agora, o homem é quem estabelece as metas, os valores, a nova ética; estabelecendo uma nova meta para a humanidade... daqui para o futuro.
Super-homem está no sentido de superação...
A negação de todos os valores impostos tornaria o homem.... Super-homem. Tudo isso poderia acontecer se o homem retorna-se a si mesmo... superando cada vez a si mesmo.
É isso por hoje.
Ver-vos-ei em breve...
Clarice S.
[Produzido ao som de: Morphine - Cure for pain].

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