sexta-feira, 4 de dezembro de 2009




"O modernismo em Portugal (e seu mais importante representante, Fernando Pessoa)surgiu em meio à grande instabilidade política da recém-instaurada República, declarada em 1910, com o assassinato do rei Carlos de Bragança. A situação portuguesa se agradou ainda mais com a Primeira Guerra Mundial, a qual trouxe a ameaça de o país perder suas colônicas ultramarinas, cobiçadas pelas grandes potências. Por conta disso, um forte sentimento nacionalista se desenvolveu no país. É nessa época que se desenvolveu Fernando Pessoa.
O Modernismo surgiu como resposta à transição que se começou a operar desde o início da Revolução Industrial. Os novos conhecimentos técnicos e científicos mudaram diametralmente a visão de mundo estabelecida no Ocidente desde a Grécia clássica. À medida que os conceitos teológicos, políticos e sociais eram debatidos, uma nova maneira de entender o homem e o universo tomava o lugar das antigas concepções. As novas tecnologias também forneciam outras perspectivas para entender a realidade de outra maneira. Correntes de pensamento - notadamente a teoria psicanalítica de Sigmundo Freud (1855-1936) e o niilismo de Friendich Nietzsche (1844-1900) - também ajudaram a desbancar o antigo e a clamar pelo moderno.
(...)
Álvaro de Campos [heterônimo de Fernando Pessoa] experimenta a civilização e admira sua energia e a força, registrando em seus poemas a ânsia de viver de forma integral e a complexidade de todas as sensações.
Entre os heterônimos, Campos foi o único a manifestar fases diferentes ao longo de sua obra. Ele tem três fases distintas. A primeira é marcada pelo decadentismo, um movimento literário que se desenvolveu no final do século XIX, em oposição ao Realismo; e que busca explorar a dimensão misteriosa da existência (...) Ele adere ao Futurismo. Finalmente, depois de uma série de desilusões existenciais, o heterônimo assume uma veia intimista. Esse período é chamado de Fase Abúlica. Espelha a desilusão com o mundo em que vive. A produção desse período é imbuída de tristeza e cansaço.
(...)
Fernando Pessoa diz sobre si mesmo ser um "invertido frustrado". Confessa sentir como uma mulher e pensar como um homem. Mais ainda, refere-se a "um corpo de mulher que foi meu outrora e cujo cio sobrevive!". Apesar dos indícios sobre seus homossexualismo, Pessoa teve uma namorada, Ophélia Queiroz, com quem se relacionou por duas vezes: em 1920 e, depois, entre 1929 e 1931. O namoro, porém, não foi em frente. Pessoa desmanchou o compromisso por conta de um desentendimento com Álvaro de Campos. Sua criação temia que o romance desviasse Pessoa da poesia. Ele abandona, assim, essa rara possibilidade de contato com o outro".


Caros leitores, interessou-me bastante esse último parágrafo (os anteriores foram a título de conhecimento). O grán Pessoa seguia os ideais aristotélicos de prática, certamente. Percebe-se que os artistas, em geral, costumam se isolar do mundo para produzir: produzir escritos (de livros a peças teatrais), obras de arte, projetos, composições, enfim. Esse isolamento é necessário. Reproduzir o mundo também. Porém, geralmente isso é feito decorrente das vivências que tal artista teve. Vivenciá-las durante a produção diminui a qualidade dessa; pois inclui, algumas vezes, noites boêmias, alimentação não-saudável e hábitos que, de alguma forma, atrapalham o meio em que o cidadão está inscrito.
Depois de concluída a obra, ouve-se um "Graças". O problema do isolamento, é a reintegração com a sociedade. Simpatizar novamente nosso círculo social não é tarefa fácil. Além disso, se corre o risco do rompimento da compatibilidade. A sensação que se tem, é a de que você evoluiu e outrem ficou no comodismo, na inércia. Logo, terás que ir em busca de novos companheiros de jornada.

Caso estejam vivenciando o momento descrito, bona fortuna. Aliás, à vocês e à mim.

Ass,
Clarice S.

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