segunda-feira, 30 de novembro de 2009

"Tá cada vez mais down o high society".



John deve estar se remexendo no túmulo agora. Notem sua feição de decepção; era o objetivo.

Sentimento de revolta ronda no interior daquela que vos escreve. Percebi nesse final de semana, da forma mais piegas, o efeito do consumismo nos seres-humanos. Fui à um evento estudantil, onde esperava que os membros lá presentes possuísem uma determinada postura, devido aos vários títulos de excelência que a instituição possui. Enganei-me, again.
A falta de personalidade, causada pelos exagerados mimos dos pais e esse constante incentivo ao consumismo, formou "garotos" inúteis e "garotas" fúteis. Sí, meus caros.
No evento que participei, que marca o fim do ensino médio, as belas mujeres chamaram mais atenção que as inteligentes. Apesar de somente pessoas do sexo feminino terem recebido prêmios como "melhor aluna do ano", "aluna que alcançou mais pontuação em vestibulares" e essas cositas. Não vi tais brilhantes e dedicadas alunas ganharem uma cantada de um cara. Só vi as de estilo modelo serem indagadas. That´s OK.

A capital do nosso estado foi invadida pelo comércio. Nas ruas, a poluição visual (ocasionada pelo comércio) roubou o belo papel do mar. Árvores? Decorativas. Grama sintética, mini coqueiros, bromélias e cobiçados prédios à beira mar. Que sentido damos a be-le-za? A artificial, pelo visto. As características naturais, tanto da vegetação praiana, como da barriga não-tanquinho de uma mulher de meia-idade; foram substituídas por uma programada: grama sintética, lipoaspiração na abdômen dessa mesma mulher (que quis competir com suas amiguitas, para depois, competir com a beleza de sua filha de 30 anos).
Descobri o mal que atinge a sociedade. O esquema é o seguinte, meus caros: a mídia elabora um padrão ideal de sociedade -> por meio de propagandas (seja na TV, seja nos jornais) influencia a população a adotar esse mesmo padrão -> o comércio é beneficiado, já que a pequena parcela da sociedade que pode pagar pelos serviços os adquire. O restante, nesse caso, é pressionado a se adequar a esse padrão para ter a chance de ingressar em determinado trabalho, ter atenção do guapo hombre que está no balcão do bar, enfim; ingressar em determinada sociedade.
Como denomino esse esquema...?

"Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro", já dizia Machado de Assis no conto "O espelho".
Há longa data, perseguir a perfeição do "eu exterior", é característica marcante de uma sociedade totalmente seletiva. No entanto, não éramos coagidos tão fortemente por essa fixação como nos dias de hoje. Ter boa aparência - rosto bonito, dentes perfeitos, cabelos arrumados, roupas da moda - garante potencialmente o sucesso, ou quem sabe a obtenção de uma vaga numa empresa, por exemplo. Todavia, esse "diferencial" não denota a qualificação profissional deste possível candidato.
Ainda não inventaram fórmula capaz de maquiar o interior humano - esforço insano de muitos - em contrapartida percebe-se com propriedade que muita gente tem forma, mas não tem conteúdo.

Sí, futilidade. Mal da sociedade atual: será uma busca obsessiva, a luta do ser entre ser essência e ser aparência?

Ter ou não um ipoid, não nos torna menos competentes, menos inteligentes e/ou interessantes. A roupa, acessório importante especialmente para as mulheres, é consequência de nossa personalidade. A produção do mesmo vestido que custa R$: 500 ou R$: 70, gera quase a mesma quantidade de empregos, beneficia as mesmas X famílias. Não entendo o porquê dessa diferença de preço colossal. E sou da seguinte opinião: se existe tal loja, que lucra em 300% com o mesmo produto de lojão barato, é porque alguém adquire tal produto. Nada existe para o acaso. Há compradores. Há madames que gastam o dinheiro de seus maridos. Há maridos que gastam o dinheiro de suas mulheres trabalhadoras. Sociedade ao avesso.

Gostaria, sinceramente, que esses jovens atingidos pela onda do consumismo entendendessem que ser mais ou menos popular em um cursinho pré-vestibular, não vai garantir sua vaga em uma faculdade conceituada. A maior preocupação de tais alunos, deveria ser a de alcançar certo nível de intelecto, de inteligência... Perdem cerca de 20% do seu tempo de estudo pensando em que roupa vestirão, provando mil trajes antes de ir ao colégio, maquiando-se para estudar. Perdem seu precioso tempo de burilar suas mentes...

Essa é uma crítica apelativa, meus caros. Porém, o outro lado da moeda é visível. Ninguém é totalmente anti-consumista; se assim fosse, seria contra sua própria existência. A humanidade precisa comprar alimentos no supermercado, remédios na farmácia, roupas para vestir, enfim. O problema está no consumir esses produtos ou serviços sem consciência; o que acontece muitas vezes por influência da mídia (propagandas em si). Nem um casal de hippies vivendo em uma granja e plantando somente para sua sobrevivência é anti-consumista.

Fácil calar-se diante dessa situação.
O estado humano mais deprimente é esse; desinteresse pela cultura admirável não-admirada por outrem. Em termos sociais, a fome. Nos morais, a falta de conciência.

Reclamamos muito. Mas o que fazes tu, mero grão areia do Universo, para mudar essa realidade?

Adie sua contribuição, a mudança da sociedade também será adiada.


É isso por hoje...
Diria um texto de desabafo. Não queria que fosse muito bem ou muito mal escrito; apenas com sentido bem defendido.

Ass,
Clarice S.

Ao som de Nirvana (old times), bufando.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009



Andava pela cidade vizinha há alguns dias. Descobri esse livro, que contém algumas boas produções regionais. Dentre elas, destaquei esse curto texto; se assim posso chamá-lo.

"O problema das cidades pequenas não é porque são cidades pequenas, mas sim porque são cidades. O problema das pessoas de cidade pequena, não é porque são pessoas de cidade pequena, mas sim porque são pessoas. Há um constante estado de vigília, sempre alguém vigiando por alguma cortina entreaberta. Há também algumas obrigatoriedades: acenar, abaixar a cabeça em sinal de cumprimento, um "opa" em sinal de cordialidade. Parece não existir segredos nem barreiras, não há espaço para privacidade. Uma ida a mercearia para comprar alguns secos & molhados, acarreta, vez ou outra na saída da loja, um sorriso incriminador de alguma velha beata que enxerga por dentro do pacote e dá em esmola com seus olhos, o seu perdão a mim e a minhas garrafinhas; seu pensamento quase transpassa o setuagenário de seus cabelos brancos: por que ele nunca vai à missa?".
Antonio Marcos Moreira Pinto

E confesso que senti uma catarse forte ao lê-lo, especialmente tratando-se das primeiras frases.
Cada vez mais remeto o comportamento de outrem à sua base educacional. Não, caros leitores, não trato da (às vezes fraca) educação que repassam os colégios e instiuições de terceiro grau; mas sim do eterno aprendizado humano. Burilando nossa mente, chegamos ao mais alto patamar: ao do "super-homem". Fazendo uma alusão à “Morte de Deus”, remetendo esta morte a uma vitória humana, surge a nova era, chamada de “nova aurora”; segundo Nietzsche. Esse afirma que a partir da morte de Deus, do sumiço da religião, tudo será reavaliado e entendido. O teocentrismo, deixa de existir (aliás nunca existiu, convencionou-se a existir, para se aceitar a fidelidade na terra). A liberdade é dada novamente ao homem... Em correção à esse erro, nega-se a Deus (leva-se em conta os princípios arcaicos, doutrinas religiosas inquestionáveis que retardaram a evolução humana em campos científicos, sociais e morais; não literalmente a figura de um ser divino), e assim torna-se superior, neste caso, o super-homem. Metaforicamente, “o homem novo”, diz Zaratustra.
E os homens devem dizer à si: "Quero ser Deus do próprio homem, para não mais errar, mas ser plenamente humano.". Agora, o homem é quem estabelece as metas, os valores, a nova ética; estabelecendo uma nova meta para a humanidade... daqui para o futuro.

Super-homem está no sentido de superação...
A negação de todos os valores impostos tornaria o homem.... Super-homem. Tudo isso poderia acontecer se o homem retorna-se a si mesmo... superando cada vez a si mesmo.


É isso por hoje.
Ver-vos-ei em breve...

Clarice S.

[Produzido ao som de: Morphine - Cure for pain].

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"Ver as coisas de fora do furacão o torna menos destrutivo. Quando se faz parte dele, tudo em volta parece sinônimo de salvação... Ainda bem que existem os erros."

Samantha.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A jovem que achava bonito ser feio


(...) Mas, voltando a falar sobre o tema principal: alguma vez você já se perguntou o porque de certas pessoas serem felizes sendo o que todas as outras abominam? Ou, se você um dia não desejou ser algo que você mesmo abominava?
Certas vezes a inveja também me consumia. Essa foi a razão principal de ser o que sou hoje. A outra razão foi curiosidade.
Se algum dia minha história de vida importar e me perguntarem se eu vivo feliz sendo uma criatura abominável, direi que sim, e não ligo pra o que irão pensar de mim. O olhar invejoso e indignado das “criaturas comuns” me causa um êxtase talvez até maior do que qualquer droga que já provei. “Ah, então você acha bonito ser feio?” Talvez só porque sua lógica diz que “não é feio ser bonito”, eu não acho o contrário, coisa normal a ser feita. Porém, como sou abominável, tenho um álibi.
Sua mente não acompanha o meu raciocínio talvez. Pode ser que eu não me expresso direito porque meus neurônios estão cozidos ou nem mais existem, ou você, não olha com freqüência da sua janela e percebe o que acontece mundo afora. A minha real intenção foi abusar da sinceridade comentando o que já estava entalado há um tempo. É o que muitos pensam, muitos querem falar, mas para poucos isso deixa de ser somente um surto humanitário que lhes tomou a cabeça.
O fato é que talvez você nunca mais vá encontrar alguém como eu, à beira de uma crise de abstinência, que fique sentada no meio-fio de uma rua residencial conversando até o sol nascer. Talvez eu precise de um cigarro.


Samantha.

Ps. In memory off you, it feels so dark inside... Waiting till the morning light. Hurts my soul, it kills my mind, daughter.