segunda-feira, 26 de abril de 2010




"(...)O fato é que desde o começo da América, os futuros europeus associaram o trabalho não pago ou não-assalariado com as raças dominadas, porque eram raças inferiores. O vasto genocídio dos índios nas primeiras décadas da colonização não foi causado principalmente pela violência da conquista, nem pelas enfermidades que os conquistadores trouxeram em seu corpo, mas porque tais índios foram usados como mão de obra descartável, forçados a trabalhar até morrer. A eliminação dessa prática colonial não termina, de fato, senão com a derrota dos encomendeiros, em meados do século XVI. A reorganização política do colonialismo ibérico que se seguiu implicou uma nova política de reorganização populacional dos índios e de suas relações com os colonizadores. Mas nem por isso os índios foram daí em diante trabalhadores livres e assalariados. Daí em diante foram adscritos à servidão não remunerada (...) Como parte do novo padrão de poder mundial, a Europa também concentrou sob sua hegemonia o controle de todas as formas de controle da subjetividade da cultura e, em especial, do conhecimento, da produção do conhecimento."

Anibal Quijano, "Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina.


Clarice S.

Um comentário:

  1. Já leste "As veias abertas da América Latina" minha cara? Terás ótimas conclusões e citações para fazer, todas na mesma linha desta. De Eduardo Galeano, vale a pena ;)

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