terça-feira, 27 de abril de 2010

Prévios 18.

Terei 18 anos...

Vou votar. Vou dirigir.
Vou comprar álcool.
Vou adotar uma criança.

Vou assinar documentos.
Vou comprar cigarros.
Vou ser responsável por mim.

Vou pra cadeia. Vou pro bordel.
Vou visitar sites proibidos.
Vou casar. Vou participar do orkut.
Vou pro exército.
Vou participar da política!

Vou, finalmente, existir na sociedade.
Vou ser reconhecida.
Vou mudar o mundo!
Enfim... Terei 18 anos.

Sam.

O homem é amarrado a teias que ele mesmo teceu!

Guten Tag!

Venho por meio deste expressar minha indignação.
Apesar de ser, em parte, um problema pessoal, desde que engressei em uma universidade percebi certas características das pessoas que a compõe.
Não todas, não é minha intenção generalizar...
Enfim, ao problema:
Nos foi dado um trabalho sobre dependência química pra fazer, e só fui me lembrar do dito um dia antes da data prevista para entrega.
Comecei a pesquisar freneticamente em todos os sites que o Google me indicava, e conforme encontrava alguma novidade, pesquisa, artigo, qualquer coisa que fosse, me empenhava em resumi-las com minhas próprias palavras e acrescentar o que eu já sabia (na maioria das vezes unindo vários pontos de vista).
Não ficou um trabalho 100%, mas certamente poderia me orgulhar que não era plágio.
Na noite do mesmo dia em que fiquei pesquisando, minhas colegas de trabalho apontaram alguém que iria organizá-lo. Já não estava muito contente com a moça que foi indicada, mas, tudo bem; trabalho em grupo é necessário, e eu já havia organizado outro trabalho, então, deixamos pra ela.
Passamos hoje à ela todas as nossas conclusões, opiniões, trabalhos, resumos.
Quando ela nos passou de volta, tive uma BELA e PREVISÍVEL surpresa:

O trabalho possuia 28 (VINTE E OITO) folhas, sendo que sua metodologia não é a de um trabalho didático; não possuia conclusão, introdução, cabeçalho ou referências.

Se isso já não bastasse pra me tirar, novamente, do sério, comecei a ler o trabalho e percebi que era uma bela cópia da internet.
Mas, como NADA é perfeito, pulei algumas páginas (cuidando pra me interar dos assuntos que não estava lendo por completo) e percebi que NENHUMA das opiniões das outras pessoas do grupo estava lá.
Agora, o que fazer?
O trabalho é pra hoje (pra daqui duas horas), estou sem celular, estou desesperada.

VIVA A QUANTIDADE E NÃO A QUALIDADE!
VIVA A IMAGEM PESSOAL! (verdadeira ou não)


Indignada com a raça humana, novamente.
Samantha.

segunda-feira, 26 de abril de 2010




"(...)O fato é que desde o começo da América, os futuros europeus associaram o trabalho não pago ou não-assalariado com as raças dominadas, porque eram raças inferiores. O vasto genocídio dos índios nas primeiras décadas da colonização não foi causado principalmente pela violência da conquista, nem pelas enfermidades que os conquistadores trouxeram em seu corpo, mas porque tais índios foram usados como mão de obra descartável, forçados a trabalhar até morrer. A eliminação dessa prática colonial não termina, de fato, senão com a derrota dos encomendeiros, em meados do século XVI. A reorganização política do colonialismo ibérico que se seguiu implicou uma nova política de reorganização populacional dos índios e de suas relações com os colonizadores. Mas nem por isso os índios foram daí em diante trabalhadores livres e assalariados. Daí em diante foram adscritos à servidão não remunerada (...) Como parte do novo padrão de poder mundial, a Europa também concentrou sob sua hegemonia o controle de todas as formas de controle da subjetividade da cultura e, em especial, do conhecimento, da produção do conhecimento."

Anibal Quijano, "Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina.


Clarice S.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Guten Tag!
Some funny conversation.

Los: Hey, show your boobs!
Sam: WHAT?
Los: Show your boobs.
Sam: Hey man, i swear i've never thought that you needs to ask to see this parts of the women's body.
Los: hsuahsa '-'
Sam: hehehe. Loser.
Los: SORRY!!

Stay free.
Kisses, Samantha.

sábado, 10 de abril de 2010

..."A crise do pensamento crítico é espantosa".



A vida do sociólogo Francisco de Oliveira se confunde com o que de melhor as ciências humanas já produziram no Brasil. Depois de trabalhar ao lado de Celso Furtado na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) na década de 1950), juntou-se ao grupo que fundou o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) em 1969. Em plena ditadura militar, as pesquisas do centro se tornaram armas na luta pelo desenvolvimento e pela democratização do país. Um dos símbolos do pensamento crítico nacional, Oliveira afirma que a pesquisa acadêmica perdeu a capacidade de interferir na realidade social do país e alerta para os riscos do divórcio entre a universidade e a política.

...

HV - Como o senhor avalia a produção das ciências humanas no Brasil hoje? As pesquisas ainda têm a relevância que tiveram no passado ou isso mudou?
Francisco Oliveira - Isso mudou. As ciências humanas estão cada mais mais competentes, mas a grande narrativa despareceu. Os estudos se diversificaram, as vozes hoje são plurais, praticamenre todos os temas estão sendo tratados com melhor qualidade teórica, mas o impacto sobre a sociedade é, hoje, muito menor do que já foi no passado. E isso não acontece só no Brasil, é um fenômeno mundial.

HV - O senhor acha que podemos falar de uma crise do pensamento crítico?
Francisco Oliveira - Pode-se falar, sim. O pensamento crítico hoje não está à altura da crise do próprio capitalismo. Esta crise do capitalismo já tem opelo menos quatro anos e não há uma proposição vigorosa partindo das ciências humanas.

HV - E a que o senhor atribui essa crise?
Francisco Oliveira - O pensamento crítico, que nas ciências humanas é profundamente ligado ao marxismo, está em crise porque o marxismo está em crise. A União Soviética abafou a capacidade crítica dessa teoria. Os partidos de esquerda, se é que ainda existem, perderam a capacidade crítica, e com isso a teoria que lhes dava sustentação também perdeu solo social. Basta ver no brasil: os partidos de esquerda não têm nada a dizer sobre o capitalismo no país. O que existe é o "oba-oba" dos petistas dizendo que o Brasil vai muito bem e é uma potência internacional. Antigamente, para a esqueda o fato do capitalismo ir bem é que era o problema. O paradoxo, hoje, é que a esquerda se satisfaz com o sucesso desse sistema. Isso mostra a crise do pensamento crítico, que no Brasil é espantosa.

HV - Quais foram as condições que permitiram o florescimento de um tipo de produção intelectual com grande relevância social nas décadas de 1950, 1960 e 1970?
Francisco Oliveira - Basicamente, o subdesenvolvimento. Esse era o solo no qual se alimentava o pensamento crítico brasileiro. A miséria e a desigualdade eram um desafio, não uma questão de administração. Hoje, para a esquerda brasileira, miséria, desigualdade e fome são questões de administração. Ela contenta-se com a boa gestão e celebra o crescimento capitalista. Esse tipo de conformismo mata o pensamento crítico.

HV - No caso do Brasil, a redemocratização afetou o pensamento crítico?
Francisco Oliveira - Afetou muito, porque a intelectualidade se dividiu: uma parte dela "tucanou" e, em vez de continuar a exercer seu papel crítico, aderiu ao neoliberalismo e ao êxito do capitalismo. A outra parte ficou capitaneada pelo PT. Enquanto fez oposição, o PT denunciava os problemas do regime, mas mesmo o PT nunca teve um pensamento crítico sobre o capitalismo brasileiro, nem uma teoria sobre o Brasil. Essas duas forças políticas principais, com essa pobreza teórica, afundaram o pensamento crítico. Os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso e os dois mandatos de Lula foram uma âncora pesada que jogou o pensamento crítico para as profundezas do Atlântico.

HV - Ao longo desses 15 anos de governos do PSDB e do PT chegou a haver ingerência partidária na pesquisa acadêmica?
Francisco Oliveira - Não houve ingerência partidária, o ambiente é que de forma geral se tornou desfavorável ao pensamento crítico. Houve um grande desligamento entre quem está na universidade e quem está na política. Esse é um fenômeno novo dno país. Hoje, no Brasil, a universidade caminha por um lado e a política, por outro; mas até um passado recente não era assim. FHC era professor emérito da Universidade de São Paulo. Recuando mais um pouco, Caio Prado Júnior foi deputado do Partido Comunista Brasileiro. Sérgio Buarque de Holanda foi fundator do PT. Se você recuar ainda mais, os autoritários clássicos, que são pensadores importantes, intervinham ativamente na política. Oliveira Vianna foi um dos redatores da Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT. Hoje existe um mar Vermelho separando universidade e política.

HV - Os intelectuais chegaram ao poder, mas a universidade está cada vez mais afastada da política?
Francisco Oliveira - Cada vez mais afastada. Parece que os cursos na área de humanas navegam e outro país. A realidade política e social passa ao largo da universidade. Esse "descasamento" é fatal para o pensamento crítico e para a política. Os dois vão pagar um preço alto por esse vazio que existe desde Collor. De lá pra cá já são 20 anos.

HV - Ao longo dessas últimas decadas a participação política da população aumentou ou diminuiu? A democracia amadureceu nesse período?
Francisco Oliveira - A democracia não amadureceu nada. Essa satisfação, essa celebração, é perigosa. O que você tem é um colégio eleitoral maior mas não é nada para comemorar. Não há participação. É uma democracia delegada: você só vota e delega. Nenhum dos mecanismos que a própria Constituição criou é utilizado. Você não faz recall, plebiscito, consulta, não faz nada. Não há participação da população. Nem diretamente nem por meio de suas instituições econômicas e políticas, como os sindicatos. Isso não é democracia, é uma delegação de poder. Quando a política deixa de afetar a sua vida cotidiana, ela se torna irrelevante.

HV - E qual é o marco inicial desse processo no Brasil?
Francisco Oliveira - Estranhamente e paradoxalmente foi a partir da redemocratização. Nós éramos muito mais democráticos sob a ditadura. O regime não era democrático, mas os cidadãos e cidadãs eram muito mais interessados na política. A política afetava a vida de todos ós diretamente, e nós tentávamos responder àquilo com greves, passeatas e protestos. Aí veio a redemocratização e a política deixou de tocar a vida cotidiana. Hoje ela não representa nada no seu dia a dia, e você responde com indiferença.

HV - O que explica o paradoxo da queda da participação popular justamente a partir da redemocratização?
Francisco Oliveira - Isso se explica de várias maneiras. Em primeiro lugar, os partidos tornaram-se oligarquias. O último deles foi o PT, que, ao profissionalizar-se, se deslocou de sua base. Os outros, nem se fala. O PSDB é um partido de cardeais. Eles se reúnem e um restaurante grã-fino e aí resolvem tudo. Consultaram quem? Que mecanismo o pessedebista autêntico tem para intervir no partido dele? Nenhum. Quanto ao PMDB, sem comentários. Esses partidos administram a política e a separam do representado. O segundo fator que explica esse paradoxo é o espantoso grau de intervenção do poder econômico na política. As grandes decisões não passam mais pelos mecanismos da democracia porque estes não têm como processá-las na velocidade que a economia capitalista contemporânea exige. É o Banco Central que governa, porque ele toma as decisões no ato, e isso substitui a política inteiramente. Então, como o cidadão comum pode participar da política? Não pode. Daí vem com essa macrocefalia do poder Executivo, que ocupa todos os espaços, enquanto o poder Legislativo se torna cada vez mais irrelevante e dedicado a futricas e nomeações de parentes.


Entrevista publicada pela "História Viva", no mês de abril deste ano.

Sem análises... O texto, como um todo, fala por mim. Estimo que o Oliveira consiga o título de reitor da USP, a fim de solucionar vários problemas de leis que lá se encontram.


Clarice S.

...(na terra do nunca).

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010


"A nossa civilização é em grande parte responsável pelas nossas desgraças. Seríamos muito mais felizes se a abandonássemos e retornássemos às condições primitivas."
Sigmund Freud


Ah, na falta do que fazer resolvi postar.
Acho que bebi demais, mas, sei lá.
Estou cansada de regras. Mesmo...
às vezes sinto falta delas e certas vezes (como agora) as repudio com toda força de minh'alma. Mesmo quando penso que estou sendo livre acabo por seguir regras; mesmo que sejam as minhas próprias, são regras!
São tão necessárias assim a ponto de interferirem em nosso livre-arbítrio?
Já essa porcaria de sermos livres é uma regra.
Outrora li que "Liberdade é um estado de espírito" e seja lá quem for que ditou essas palavras à criatura que me escreveu, estava certo.
Bem... mesmo sendo 05:25 estou sem sono. Minha cabeça dói, o que é um provável sinal de que não terei ressaca essa manhã.
Gostaria que mais pessoas lessem esse blog e percebessem como mesmo nós, 'críticos da sociedade', somos alienados e de certo burros por ser tão convictos de nossas opiniões.
Nesse exato momento, em que o álcool afeta meus instintos, percebo que somente seremos libertados quando o amor nos deixar cegos e possamos, enfim, nos tornar selvagens uma vez mais.

Ao contrário do que diz o título do blog... O inferno não são 'os outros' e sim 'nós'.
Ah, que enxaqueca.

Samantha.

Eternamente marginal.



À saber:

A fama de poeta maldito que Paulo Leminski carregou durante toda a vida não era apenas um rótulo. Extremamente culto, ele conjugou como ninguém a erudição, que lhe era característica, à loucura da Contracultura dos anos 1970; unindo o coloquialismo rasteiro das ruas às idéias mais vanguardistas. Espécie de reencarnação de Rimbaud, o "Polaco" foi poeta, jornalista, publicitário, lutador de judô, compositor e seminarista. Um escritor totalmente afinado com o seu tempo e que, segundo Haroldo de Campos, "foi o poeta mais criativo de sua geração".
Mas, passados 20 anos da morte do poeta, o que se escuta a respeito de sua obra é um silêncio ensurdecedor que o falastrão Leminski certamente contestaria. No ano da efeméride do poeta, seus livros estão fora das estantes, sua obra musical totalmente dispersa e o Perhappiness, festival criado em sua homenagem, que acontecia em Curitiba nos meses de setembro e outubro, foi definitivamente sepultado. O último livro de poesia de Leminski que ganhou as prateleiras foi "O ex-estranho", uma coletânea de poemas compilada por Alice Ruiz, viúva do escritor, que foi reeditada no já longínquo ano de 1996.
José Castello, autor do romance "Fantasma", livro que tem Paulo Leminski e a cidade de Curitiba como personages, sugere que o esquecimento do poeta pelo mercado editorial pode ser indício de que, de alguma forma, a figura mítica do escritor se sobrepôs à sua produção literária. "Nesse início de século 21, os escritores se transformaram em figuras pop. A figura de Leminski se insere nessa série de autores pop de nossa época. Morreu jovem, era ousado e sedutor, teve uma vida aventurosa, foi um homem corajoso e rebelde; enfim, unia todos os atributos para ser transformado em um herói. Ainda que, para alguns, seja um anti-herói, esse aspecto do heroísmo nunca se separa de sua imagem. Seria muito bom se tudo isso se refletisse não só na venda de livros, mas, sobretudo, na qualidade das leituras de sua obra. Infelizmente, isso não parece ser verdade", diz o crítico carioca.
Autor extremamente produtivo, apesar da incansável militância etílica e boêmia, Leminski escreveu prosa, poesia, ensaio, crítica literária e foi tradutor de autores como James Joyce, John Fante, Valt Whitman e Samuel Beckett. Esses livros estão espalhados por uma dezena de editoras, algumas que não existem mais. Contraditório na essência, o grán Paulo estreou na literatura com um livro de prosa, ou um "romance-ideia", como gostava de se referir ao seu "Catatau".
Lançado em 1975, o livro é uma viagem linguística que apresenta o filósofo René Descartes (pai da filosofia moderna) nas areias do nordeste brasileiro à espera de um certo Krzystof Artschewski, comandante polonês e chefe da expedição holandesa no Brasil. Em sua prosa-poética, escrita em um único parágrafo e em letras minúsculas, o romance seria homenagem à prosa de Joyce, de Guimarães Rosa e de Haroldo de Campos.
Considerada sua principal obra por muitos críticos, "Catatau" é mais um dos livros da bibliografia deste grande poeta marginal que está fora de catálogo. Reeditada em 2005, quando completou 30 anos, o livro rapidamente desapareceu das estantes para não ser mais visto.
Tal livro surgiu de um conto escrito por ele ainda nos anos 1960, mesma época dos primeiros poemas. Poesia em prosa, eis a coerência do romance. "O Waly Salomão que dizia que Leminski era uma 'convergência de contradições', por suas origens negras e polacas, por ser um grande atleta (faixa preta de judô) e um grande boêmio; um bandido que sabia latim", diz Toninho Vaz, referindo-se ao título da biografia do poeta.
Morto em 1989, aos 44 anos, vítima de cirrose hepática, Leminski influenciou não só os seus contemporâneos, mas também gerações posterior. Além disso, suas letras de música foram gravadas por artistas como Caetano Veloso, Itamar Assumpção, Morais Moreira, Ney Matogrosso e Arnaldo Antunes.
Depois de 20 anos de sua morte, a figura de "Polaco" ainda é bastante presente. Porém, sua obra tem sobrevivido de maneira inconstante. A crítica considera 20 anos o tempo ideal para o assentamento de valores de uma obra literária. Um fato que beneficia o julgamento do trabalho do poeta do Pilarzinho, agora já bastante aceito pelos críticos mais céticos. A novidade nesta paisagem é o desaparecimento do folclore das drogas e das biritas, da boemia desregrada ou, em muitos casos, do suicídio consentido, ainda que involuntário. As novas gerações "seletivas" aceitam Paulo Leminski, claramente, como um intelectual, um pensador.

Nos anos 1970, porém, em plena ditadura militar, os jovens estudantes (que poderiam ver nas obras de Leminski a leitura obrigatória colegial) não possuíam liberdade para conhecer a fundo um autor que criticava o regime; que era a imagem de cidadão não quisto pelo governo. Pode-se perceber, portanto, que a maioria das pessoas que tiveram acesso ao conhecimento na juventude e que têm idade acima de 35 anos, não conhecem Paulo Leminski. Com nossos avós de 70 és la misma cosa.
Resta a "classe trabalhadora recente" (20-35) de nosso país fazer esse papel, além dos atuais estudantes e aspirantes a cultura marginal.
Caso contrário, sua complexa leitura será designada às crianças que hoje nascem, que crescerão e, na melhor das hipóteses, se interessarão por literatura. Estimo que estas vejam nesse hombre seu ídolo; quem "saboreava no cigarro a libertação de todos os seus pensamentos" e, sobretudo, a cada escrita plantava uma semente de esperança na mente dos jovens leitores e libertários: as utopias fazem o mundo resistir; revoluções são necessárias.

Texto embasado em um artigo publicado pela revista da Livraria Cultura, em 2009.


Clarice S.